Manu,
você não tem mais perfil no orkut e, portanto, eu nao tenho como lhe escrever um testimonial, mas acho que o espaço aqui é tão apropriado pra te dizer o que eu aprendi com você quanto o orkut seria.
Percebi que a reciprocidade é só um carater do capitalismo massacrante e perverso do ocidente (hehehehe), que eu não tenho que impôr como ética condicionante de todas as pessoas. Sei lá, eu talvez tenha aprendido isso no direito, das reflexões sobre público/privado, democracia/totalitarismo, liberdade/igualdade, bem-estar social/liberalismo.
Obrigado por tudo - juro que um dia eu vi um homem ser feliz... menina, eu vi.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Da categoria "igualdade formal" e "igualdade material"
Louis Dumont é um autor da antropologia que apresenta uma discussão tão massa sobre ideologia moderna que me deixa bem enrolado, ou seja, ele tem umas sacadas sobre a cultura moderna ("moderna" no sentido estritamente temporal/espacial).
Ao caracterizar a ideologia como uma ideia valor da sociedade, sendo característica das sociedades modernas a ideologia do indivíduo (individualismo), em que cada indivíduo (físico) é representado como o sujeito moral. Vem essas frasesinhas senso comuns do direito de que "o indivíduo é um fim em si mesmo", "a sociedade só nos serve para suprir nossas liberdade" (e a reciprocidade só chega nesse aspecto - a ação pública do homem é pela reciprocidade), mostrando que sempre pensamos em uma perspectiva individualista, em que a sociedade é feita de indivíduos (e norberto elias tem umas divagações bem interessantes sobre essa noção).
Sendo o sujeito moral da sociedade moderna o indivíduo, e não a sociedade, a ideia de igualdade é bem importante para as discussões da modernidade, sendo todo o discurso da democracia fundada por sensibilidades sobre o que é isso, ou seja, perspectivas que tornem as partes da sociedade, os indivíduos, mais iguais. A hierarquia é sempre vista como uma idéia péssima.
Basta, portanto, observar o mito (falo de mito como uma forma de não mostrar que é uma inverdade histórica, mas para dimensionar que tal perspectiva sobre passado tem uma finalidade de apresentar que a atual configuração da ideologia defendida é a mais adequada) que se faz sobre a história da sociedade ocidental através dos "paradigmas constitucionais : "Antes era o paradigma liberal, em que todo mundo podia contratar e que todo mundo teria liberdade de ser o que quiser (igualdade formal). Aí percebeu-se que não dava muito certo, porque tal igualdade estratificava bastante a sociedade, surgindo, assim, o paradigma social (igualdade material). Só que o social não permitiu a liberdade de contratar, sendo o Estado super inflado. Partiu-se, então, para a democracia (igualdade formal e material)"...
Analisando o mito, observamos que a atual configuração do direito é a perspectiva em que o valor indivíduo é a mais "real". O liberalismo é mal visto porque permite hierarquizar as pessoas, pois "os capitalistas dono de indústria" tem um poder bem maior do que "os empregados". Surge o estado social, mas esse é mal visto porque o estado apresenta-se hierarquicamente superior aos capitalistas e empregados. E surge o estado democrático, em que os capitalista e empregados se aglutinam a dimensão do Estado, possibilitando igualdade para todos os indivíduos.
Caracterizar a igualdade do liberalismo como "formal" é uma associação estrutural de pares opostos. Formal está para material assim como aparente está para eficaz. Essa categorização da igualdade como material e formal é um meio de desqualificar a igualdade do liberalismo.
****
Essas serão as discussões que eu farei num fichamento crítico sobre direito constitucional do trabalho.
Obviamente que eu apresentarei mais discursos do estruturalismo francês, com uma autoridade etnogŕafica mais bem projetada.
Espero comentários :D
Ao caracterizar a ideologia como uma ideia valor da sociedade, sendo característica das sociedades modernas a ideologia do indivíduo (individualismo), em que cada indivíduo (físico) é representado como o sujeito moral. Vem essas frasesinhas senso comuns do direito de que "o indivíduo é um fim em si mesmo", "a sociedade só nos serve para suprir nossas liberdade" (e a reciprocidade só chega nesse aspecto - a ação pública do homem é pela reciprocidade), mostrando que sempre pensamos em uma perspectiva individualista, em que a sociedade é feita de indivíduos (e norberto elias tem umas divagações bem interessantes sobre essa noção).
Sendo o sujeito moral da sociedade moderna o indivíduo, e não a sociedade, a ideia de igualdade é bem importante para as discussões da modernidade, sendo todo o discurso da democracia fundada por sensibilidades sobre o que é isso, ou seja, perspectivas que tornem as partes da sociedade, os indivíduos, mais iguais. A hierarquia é sempre vista como uma idéia péssima.
Basta, portanto, observar o mito (falo de mito como uma forma de não mostrar que é uma inverdade histórica, mas para dimensionar que tal perspectiva sobre passado tem uma finalidade de apresentar que a atual configuração da ideologia defendida é a mais adequada) que se faz sobre a história da sociedade ocidental através dos "paradigmas constitucionais : "Antes era o paradigma liberal, em que todo mundo podia contratar e que todo mundo teria liberdade de ser o que quiser (igualdade formal). Aí percebeu-se que não dava muito certo, porque tal igualdade estratificava bastante a sociedade, surgindo, assim, o paradigma social (igualdade material). Só que o social não permitiu a liberdade de contratar, sendo o Estado super inflado. Partiu-se, então, para a democracia (igualdade formal e material)"...
Analisando o mito, observamos que a atual configuração do direito é a perspectiva em que o valor indivíduo é a mais "real". O liberalismo é mal visto porque permite hierarquizar as pessoas, pois "os capitalistas dono de indústria" tem um poder bem maior do que "os empregados". Surge o estado social, mas esse é mal visto porque o estado apresenta-se hierarquicamente superior aos capitalistas e empregados. E surge o estado democrático, em que os capitalista e empregados se aglutinam a dimensão do Estado, possibilitando igualdade para todos os indivíduos.
Caracterizar a igualdade do liberalismo como "formal" é uma associação estrutural de pares opostos. Formal está para material assim como aparente está para eficaz. Essa categorização da igualdade como material e formal é um meio de desqualificar a igualdade do liberalismo.
****
Essas serão as discussões que eu farei num fichamento crítico sobre direito constitucional do trabalho.
Obviamente que eu apresentarei mais discursos do estruturalismo francês, com uma autoridade etnogŕafica mais bem projetada.
Espero comentários :D
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
o que tem passado na minha cabeça
Então gente,
estou aqui nessa animação de começo de semestre, querendo saber quais serão meus destinos para o ano de 2009.
A droga é que eu tô estruturado em propostas de vida a longo prazo, esperando finalidades para mim. Eu teria de mudar e entender que é aquilo que eu tô vivendo, ou seja, escrever nesse blog é a vida, fazer meu estágio é a vida, carpe diem! E isso me veio enquanto assistia "a sete palmos" (six feet under) - uma terapia para mim.
Minhas aulas de "direito do trabalho" ainda não começaram, mas eu estou animado com a minha participação num grupo de estudos da antropologia sobre práticas culturais e direitos humanos. Expus para um público maior que a minha pretensão de monografia de final de curso é escrever uma etnografia (não quis expor muito sobre a temática - mas penso em cidadania e dos discursos propostos pela faculdade de direito da unb em torno dessa questão). E aí começa a surgir meu pibic, meus artigos, minhas participações em conferências, minhas monitorias e meu currículo se inflando para um mestrado etc...
Descobrindo que ser apenas um bacharel em direito me deixaria muito triste, que é bom para ganhar dinheiro e ser independente, mas que eu estou cada vez mais crente que a ciência jurídica está no limiar de uma tecnologia desmiolada, meio que perdida em canônes de sentidos éticos que eu mal compreendo. às vezes penso que só queria ser dona de casa - lavar roupa, pratos e fazer faxina - seria tudo mais fácil :)
estou aqui nessa animação de começo de semestre, querendo saber quais serão meus destinos para o ano de 2009.
A droga é que eu tô estruturado em propostas de vida a longo prazo, esperando finalidades para mim. Eu teria de mudar e entender que é aquilo que eu tô vivendo, ou seja, escrever nesse blog é a vida, fazer meu estágio é a vida, carpe diem! E isso me veio enquanto assistia "a sete palmos" (six feet under) - uma terapia para mim.
Minhas aulas de "direito do trabalho" ainda não começaram, mas eu estou animado com a minha participação num grupo de estudos da antropologia sobre práticas culturais e direitos humanos. Expus para um público maior que a minha pretensão de monografia de final de curso é escrever uma etnografia (não quis expor muito sobre a temática - mas penso em cidadania e dos discursos propostos pela faculdade de direito da unb em torno dessa questão). E aí começa a surgir meu pibic, meus artigos, minhas participações em conferências, minhas monitorias e meu currículo se inflando para um mestrado etc...
Descobrindo que ser apenas um bacharel em direito me deixaria muito triste, que é bom para ganhar dinheiro e ser independente, mas que eu estou cada vez mais crente que a ciência jurídica está no limiar de uma tecnologia desmiolada, meio que perdida em canônes de sentidos éticos que eu mal compreendo. às vezes penso que só queria ser dona de casa - lavar roupa, pratos e fazer faxina - seria tudo mais fácil :)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Um exercício comparativo ou um sentimento de perda
Abandonei às moscas o blog. Preciso escrever alguma coisa para renovar meus votos desse ano, afinal, estava muito distante dessa prática literária.
xxx
O sentimento de perda que tive nessa minha viagem curta pelo Nordeste, que foi uma viagem bem nativa (distante apenas por um ano, mas com uma inserção profunda que me impediu de observar as práticas); mas mesmo assim estou com um gostinho de perda. Por que não falar desse sentimento que já está quase se acabando?
Na verdade, nem vale a pena falar sobre essa análise sentimental minha que não existe, ou seja, eu não vivo uma vida diferente daquela vida que eu vivi nos meus 20 dias no Nordeste. Na verdade aquela vida performática no Nordeste já virou um ciclo, um fato intrínseco a minha regularidade - ir a Natal não é "ir à campo", porque Natal já é academia. Eu não posso ter antropologhical blues - não mais.
xxx
O sentimento de perda que tive nessa minha viagem curta pelo Nordeste, que foi uma viagem bem nativa (distante apenas por um ano, mas com uma inserção profunda que me impediu de observar as práticas); mas mesmo assim estou com um gostinho de perda. Por que não falar desse sentimento que já está quase se acabando?
Na verdade, nem vale a pena falar sobre essa análise sentimental minha que não existe, ou seja, eu não vivo uma vida diferente daquela vida que eu vivi nos meus 20 dias no Nordeste. Na verdade aquela vida performática no Nordeste já virou um ciclo, um fato intrínseco a minha regularidade - ir a Natal não é "ir à campo", porque Natal já é academia. Eu não posso ter antropologhical blues - não mais.
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